Sporting. Celebrações acabam em confrontos

A noite que viu o Sporting quebrar 19 anos de jejum no campeonato nacional acabou em confrontos entre a Polícia e os adeptos leoninos. As escaramuças que motivaram intervenção policial começaram ao intervalo do jogo com o Boavista. Mas após o apito final, quando se fazia a festa do lado de fora do Estádio José Alvalade, os ânimos voltaram a exaltar-se, reeditandoi-se os confrontos entre alguns adeptos e as forças policiais, fazendo um prefácio de uma realidade que viria a marcar, pela negativa, a noite de celebração do 19.º título de campeão nacional do Sporting CP. Uma noite, aliás, em que acabariam feridos adeptos, cidadãos e também polícias, segundo relata ao i Pedro Carmo, da Organização Sindical dos Polícias, que dá conta de vários colegas de profissão que, além de terem alongado o horário de trabalho na terça-feira para garantir condições de segurança nos festejos do Sporting, acabaram, alguns, feridos nos confrontos que se realizaram com os adeptos ‘leoninos’. “Isto parte da cultura cívica das pessoas a nível nacional, em que a qualquer coisa viram-se contra a Polícia e a culpa é sempre da Polícia, que faz cargas, que não deixa celebrar...”, lamentou o dirigente sindical, que considerou esta situação ilustrativa dos “riscos” que vivem os agentes policiais – apontando o dedo ao facto de, mesmo tratando-se de uma “celebração”, em que “não havia ira”, a situação rapidamente se transformou num confronto entre adeptos e polícias.

A comitiva sportinguista que ia desfilar desde Alvalade até ao Marquês de Pombal parecia não ter pressa em sair do estádio dos ‘leões’ e as autoridades atrasaram, uma e outra vez, a sua partida. Uma decisão que, defende um ex-comissário da PSP ouvido pelo i, poderá ter estado no cerne dos confrontos entre adeptos e polícias que se fizeram sentir ao longo da madrugada de quarta-feira, fruto do cansaço e da frustração causada nos adeptos por estes sucessivos atrasos. Por outro lado, Pedro Carmo não hesita: “As pessoas têm de aceitar aquilo que lhes é imposto, quando há medidas de segurança a cumprir”. O agente defendeu que “as pessoas não têm de ficar ofendidas se o autocarro se atrasou uma hora ou duas horas”. “As pessoas estão ali para comemorar, não para ‘andar à batatada’ com a Polícia”, referiu ainda o sindicalista. Face ao ambiente de tensão e aos conflitos registados, chegou mesmo a ser ponderado o cancelamento do desfile e dos consequentes festejos no Marquês, mas a decisão acabou por ser a manutenção dos festejos, após calcular “os impactos negativos na ordem e tranquilidade públicas, resultantes da sua anulação”, como se pode ler em comunicado oficial da PSP.

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