Deviam prestar mais atenção aos que já cá estão

“Deviam prestar mais atenção aos que já estão”: Sindicato policial concorda com novas medidas de avaliação mas reclama incentivos à profissão

A intenção do Ministério da Administração Interna em criar novos critérios de seleção na entrada das forças policiais, tais como agressividade, frustração e intolerância, sendo ainda sujeitos a uma avaliação psicológica mais específica, foi colhida com pouco entusiasmo por Pedro Carmo, presidente da Organização Sindical dos Polícias.

“Deviam dar prioridade a maiores incentivos para os jovens que querem ingressar na profissão. Vamos criar medidas para a entrada mais complexas, o que concordo, mas acabamos depois por não ter pessoas que queiram ingressar na área, até pela dificuldade da profissão. Estamos um pouco no ‘quando não há mais nada, então vêm para cá’. Concordo que haja uma atenção maior a nível psicológico na seleção mas aplicar estas medidas faz-me pensar no que género de avaliações faziam até agora”, garantiu, à Multinews, o líder sindical.

“Há uma taxa de suicídio enorme na profissão, em comparação com outras, de colegas que não suportam a pressão normal do serviço. Se o exame psicológico foi mais apertado, talvez até se torne preventivo de algo que mais tarde pode acontecer. No entanto, realço que, para quem já está na força policial, não há qualquer género de apoio psicológico ou acompanhamento. Preocupam-se com a seleção mas não se preocupam com os que estão”, lembrou.

As novas medidas não têm ainda prazo de aplicação mas, para Pedro Carmo, são essencialmente publicitárias. “Fizeram a história de que somos agressivos. Agora fazem a história de que vão pôr pessoas que já não são agressivas. Mas vamos pôr cá Robocops? É importante essa avaliação, reforço, mas não se mostram muito preocupados com os que estão. Somos 20 mil pessoas e estamos a preocupar-nos com um residual de, talvez, 700 que entram todos os anos, isto se entrarem tantos. Então e os que cá estão? São mais notícias publicitárias do que de ação. Primeiro tomavam conta dos da casa, para que pudessem por exemplo ter um rendimento para levar uma vida digna.”

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